Sociologia da Educação

domingo, abril 02, 2006

Uma imagem



Florescência de um ipê rosa
Parque da Cidade Ana Lídia
Brasília DF Brasil

© 2005 Pedro Ferreira de Andrade

Aula dia 30 de março de 2006 - 8° encontro

Aculturação
Processo decorrente do contato mais ou menos direto e contínuo entre dois ou mais grupos sociais, pelo qual cada um desses grupos assimila, adota ou rejeita elementos da cultura do outro, seja de modo recíproco ou unilateral, e podendo implicar, eventualmente, subordinação política ou a adaptação de um indivíduo a uma nova cultura com que estabelece contato, seja em seu local de origem, seja em outro local para que se tenha mudado.

Em outras palavras, aculturação ou transculturação é o processo de fusão de culturas em contato através da troca de seus padrões e da influência mútua.

A cultura brasileira é o resultado da síntese de várias culturas em contato: européia, diferentes culturas indígenas autóctones e variadas culturas africanas.

Cultura e subcultura
A cultura da sociedade simples, como as sociedades tribais possui um grau muito alto de homogeneidade. A grande maioria dos seus padrões são compartilhados por todos seus participantes. O ritmo de transformação dessas culturas é lento.

A cultura das sociedades complexas são altamente heterogêneas. Nelas, a participação cultural dos indivíduos é fragmentária e diversificada.

Para compreender as culturas das sociedades complexas em toda a sua diversificação é necessário identificar as subculturas que as compõem.

Subcultura não significa cultura inferior, mas parte de uma cultura. As subculturas não são independentes da cultura total. A subcultura não é também um simples conjunto de pessoas nem necessariamente de uma região, embora existem subculturas regionais. Note-se que as pessoas que participam de subculturas não são as subculturas.

Nas sociedades complexas, as pessoas tendem a participar simultaneamente de várias subculturas.

Corolário
Subcultura é parte de uma cultura, distinta desta última pela posse de crenças, valores, normas e padrões de comportamento exclusivos, mas dependente do todo através da participação de elementos culturais comuns ao todo.


Cultura e sociedade de massa
Cultura total de uma sociedade composta de padrões de comportamento e de pensamento comuns às subculturas de uma sociedade heterogênea. Os padrões são partilhados por toda ou pela maioria dos indivíduos independentemente do nível de renda, do grau de instrução, do tipo de ocupação e da localização espacial.

Os padrões da cultura de massa não possuem o mesmo grau de estabilidade da cultura dominante, estes derivando da tradição que dizem respeito ao idioma, aos valores morais e ao sentimento coletivo de participação de uma tradição histórica comum. A cultura de massa refere-se aos aspectos superficiais do entretenimento, do gosto artístico e do vestuário.

Cultura imposta pela indústria cultural; indústria cultural (meios de comunicação de massa – jornais, televisão, cinema, industria fonográfica etc).


Cultura popular
Não se confina a uma única subcultura, mas não perpassa todas as subculturas como a cultura de massa. Compreende um grande número de subculturas das quais participa uma proporção significativa da população.


Estereótipos
São imagens pré-estabelecidas para todos os indivíduos pertencentes a alguma categoria social, mediante a atribuição generalizada de qualidades de caráter positivas ou negativas. São clichês, rotulações. Os participantes de subculturas tendem a ser vítimas de estereótipos.

Símbolos e normas
Os símbolos estão presentes em todos os momentos da vida social não só na linguagem verbal, as ações sociais ou seja todas as relações sociais possuem necessariamente uma dimensão simbólica. Gestos, cores, vestuários são alguns dos recursos simbólicos mais freqüentemente usados pelo homem. Roupas podem significar contentamento ou tristeza, autoridade ou submissão. Do mesmo modo que a norma o símbolo tem caráter normativo.


A dimensão intermental da sociedade
Através da comunicação simbólica os homens podem partilhar idéias e sentimentos entre si. A vida social é também realidade intermental ou intersubjetiva. Estudar as relações sociais significa sempre e necessariamente procurar saber o que ocorre na mente das pessoas de um modo compartilhado, i.e., intersubjetivamente.

As crenças coletivas têm o poder de moldar as relações sociais. A sociedade não é apenas o que as pessoas e grupos fazem entre si, é também o que as pessoas acreditam que ela seja ou que ela deva ser.

Existem dois níveis básicos da vida social:
1) Interacional, diz respeito ao que os agentes sociais fazem entre si


2) Intermental ou intersubjetivo, compreende as idéias coletivamente compartilhadas pelos indivíduos sobre o que a sociedade em que vivem presumivelmente é ou deve ser

Esses dois níveis são interdependentes entre si.


Comportamento humano e relações sociais
O comportamento coletivo, que constitui o nível interacional da sociedade, pode ser observado direto ou indiretamente.

O problema de identificar e explicar as relações sociais através do comportamento é tão mais complexo para o sociólogo quanto este ocupa-se não apenas das relações entre indivíduos, mas principalmente, das relações entre diferentes tipos de coletividade – grupos, agregados, categorias, classes, nações etc.

Para identificar e explicar as relações sociais, o sociólogo precisa observar o comportamento ou as ações das pessoas como meio mas não o único para alcançar as relações sociais.

***

STATUS E PAPEL
o STATUS – conceito e origem
É o lugar ou posição que a pessoa ocupa na estrutura social, de acordo com o julgamento coletivo ou consenso de opinião do grupo. Portanto, o status é a posição em função dos valores sociais correntes na sociedade.

STATUS LEGAL E STATUS SOCIAL
Atualmente os sociólogos usam a palavra status também para posições que não são definidas por lei. Dessa maneira, a primeira diferenciação que devemos fazer é entre status legal e social.

Status legal é uma posição caracterizada por direitos (reinvindicações pessoais apoiadas por normas) e obrigações (deveres prescritos por normas), capacidades e incapacidades, reconhecidos pública e juridicamente, importantes para a posição e as funções da sociedade.

Status social abrange características da posição que não são determinadas por meios legais. É o comportamento socialmente esperado e ou aprovado, de ocupante do status, assim como o comportamento adequado dos outros em relação a ele. O status social difere do legal por ser mais amplo e abranger outras características de comportamento social, além das estipuladas por lei.

O status é definido socialmente, determinado por fatores extrínsecos (que devem ser considerados em conjunto. Nenhum dos elementos componentes, isoladamente, é suficiente para avaliar o status) às pessoas, existindo certos critérios universais contidos nos valores sociais, tais como:

parentesco (em todas as sociedades o parentesco pode conferir uma posição superior ou inferior, tendo-se em conta certos fatores a origem da família “alta” ou “baixa” da família, reputação e tradicionalismo. Em muitas sociedades dá-se valor social ao aspecto étnico);

riqueza (a riqueza consiste em coisas tangíveis, passíveis de serem contadas e medidas. É visível, pois permite ostentar um níveld e vida, além do conforto e bem-estar. Geralmente a origem da riqueza também tem importância social: de um lado, há prestígio quando ela é adquirida de maneira socialmente aprovada ou herdada; menos prestígio é dado à riqueza “mal” adquirida ou recente: haja vista o sentido pejarativo conferido à expressão “novo rico”);

ocupação (a função que a pessoa ocupa na sociedade. O prestígio das diferentes profissões decorre principalmente de três fatores: a importância funcional em relação à sociedade, o grau de conhecimento exigido para o exercício da função e a escassez de pessoal em relação à procura. E.g.: o médico é sempre valorizado em qualquer sociedade, muito mais do que o vendedor ambulante. Outras categorias são tidas em alta conta: engenheiro, advogado, cientista, são mais valorizados que o lixeiro, garimpeiro e coveiro;

educação é determinante de status, há uma diferença entre o analfabeto e o alfabetizado, o erudito e o inculto. O título de doutor é símbolo de status;

fatores biológicos – grupos etários, crianças, jovens, adultos e velhos, sexo, raça.


TIPOS DE STATUS:
• ATRIBUIDO – independe da capacidade do indivíduo; é-lhe atribuído mesmo contra sua vontade, em virtude de seu nascimento, condição de sexo. Naturais

• ADQUIRIDO – conquistado pelo indivíduo através de habilidade, conhecimento e capacidade pessoal, derivando da competição entre pessoas e grupos. Depende do esforço e aperfeiçoamento pessoal

domingo, março 26, 2006

Anotações da aula dia 23 de março de 2006 - 7° encontro

© 2006 Pedro Ferreira de Andrade. Todos os direitos reservados.

Sociedade humana e sociedades animais não-humanas

- Existência de certo tipo de “organização social” entre animais não-humanos entre mamíferos superiores, e também entre insetos – formigas, cupins, abelhas.

Recomendo para análise o filme Vida de inseto (A bug's life) - © 1998 Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios – Animação. Apresenta visão de trabalho de equipe e concepção de organização social. Paródia de vida social entre os homens.


- Verifica-se algo entre eles que poderemos chamar de “divisão do trabalho”, “hierarquia social”, “poder político” etc.

- Será que poderemos chamar, no sentido humano, de social a vida desses animais?

- Os padrões de comportamento entre os animais não-humanos são substancialmente diferentes dos verificáveis entre os homens.

Entre os animais não-humanos
Padrões de comportamento entre os animais não-humanos são idênticos e constantes e possuem um altíssimo grau de estabilidade no tempo e no espaço.


Padrões de comportamento dos animais não-humanos são transmitidos através da herança biológica.


Os animais não-humanos não precisam aprender padrões comportamento de comunicação simbólica para se comunicarem entre si.


O João-de-Barro não precisa aprender a fazer casas nas árvores, nem o cupim o cupinzeiro, a abelha a colméia... esses são padrões de comportamento são biologicamente herdados por esses animais.

Entre os homens
Os padrões de comportamento do homem e suas formas de organização social são extremamente mutáveis no tempo e no espaço, portanto são extremamente flexíveis
Os padrões de comportamento do homem são transmitidos e aprendidos através da comunicação simbólica. Os padrões de comportamento do homem são artificiais, criados pelo próprio homem.
As características biológicas peculiares da nossa espécie constituem uma condição necessária ao desenvolvimento de maneira própria do homem se associar a outros e viver em grupo, mas não bastam para que o homem desenvolva a sua sociabilidade.
O homem não nasce social, só adquire as características comportamentais conhecidas como tipicamente humanas através da socialização.

Corolário
As formas padronizadas de agir dos animais não-humanos são transmitidos geneticamente; decorrem da natureza. As padronizações predominantes do comportamento humano não estão nas condições biológicas típicas da nossa espécie. Isto não significa que os animais não-humanos sejam destituídos da capacidade de aprender, nem que a totalidade do comportamento humano resulte apenas da aprendizagem. Significa que o comportamento dos animais não humanos é predominantemente padronizado pela herança, enquanto o comportamento humano é sobretudo padronizado pela aprendizagem através da comunicação simbólica.
Usa-se, de acordo com Kingsley Davis (A sociedade humana. Fundo de Cultura, 1964) para determinar os padrões de comportamento das sociedades a classificação de:
Entre os animais não-humanos, transmitidos pela herança biológica – sistemas biossociais;
Das relações sociais entre os homens, pelo fato de elas se basearem em padrões artificiais, não derivados das características orgânicas específicas da nossa espécie – sistemas bio-sócio-culturais.

Conceito
Padrões de comportamento são formas regulares de ação associadas a determinadas situações.


Socialização
Significa transmissão e assimilação de padrões de comportamento, normas, valores e crenças, bem como o desenvolvimento de atitudes e sentimentos coletivos pela comunicação simbólica.

É através da socialização que o indivíduo pode desenvolver a sua personalidade e ser admitido na sociedade. A socialização é um processo fundamental não apenas para a integração do indivíduo na sua sociedade, é também para continuidade dos sistemas sociais.

Questão
O que a educação em sentido amplo e estrito tem a ver com a socialização?

Socialização:
. Primária – Dá aos indivíduos os padrões de comportamento básicos necessários a uma vida normal na sua sociedade.

Pergunto novamente. O que a educação formal tem a ver e de que forma?

. Secundária – Refere-se a aprendizagem de padrões de comportamento especiais para determinadas posições e situações sociais.

Insisto. O que a educação formal e informal tem a ver e de que forma ela pode contribuir?

Como se processa a comunicação humana?

Que é o símbolo?

Extrapolações
· A comunicação entre animais não-humanos se faz através da chamada “linguagem emocional”.

· A comunicação humana se processa através de símbolos.
- Comunicar significa transferir informação de um ponto a outro no
espaço
- Memorizar é transferir informação de um ponto a outro no tempo
- Uma memória de algo (registrada) pode ser convertida em comunicação
- (espaço), como também uma comunicação pode ser convertida em
- memória (tempo).
- A sobrevivência humana e a vida em sociedade dependem da informação
e comunicação.
- O ser humano tem capacidade de retirar do seu patrimônio biológico
certas qualidades e transformá-las em instrumentos extra-somáticos:
o Comunicação
§ 1 - A linguagem oral, pictórica etc. (instrumentos de comunicação)
o Memória
§ 2 - A escrita, pictórica etc. (instrumento de memorização)
o Processamento da informação artificial extraordinário
§ 3 – O computador

· A linguagem, a escrita, o computador dentre outros são instrumentos de natureza informática.

· A linguagem é o aspecto fundamental que destaca o homem entre os animais. Sua existência é extra-somática; é exterior a biologia de cada indivíduo.

· A linguagem é fundamental para a existência da sociedade. Com ela, a sociedade é informatizada em primeiro grau (primeira forma de informatização, de processamento da informatização).

· Com o surgimento da escrita e de outras formas de registro o homem pode transferir e armazenar informação e conhecimento sob a forma de memória.

· A capacidade de processamento da informação, terceira qualidade destacada do nosso equipamento biológico (do sistema nervoso), conta com vários instrumentos, mas nenhum igual ao computador pelo seu poder de simulação.

· Símbolo, imagem ou sinal ou objeto que se dá uma significação; representação. Está presente em todos os momentos da nossa vida, pois ele não se limita à palavra. A palavra é o símbolo, mas não a sua única expressão. Símbolo verbal é o mais importante instrumento de socialização.

· A socialização é um processo permanente, porque mudando de grupo e de posição social, os indivíduos têm de se adaptar a novas situações sociais e essa adaptação é feita através da aprendizagem de novos modos padronizados de agir e mesmo de pensar.

Cultura
O sentido da palavra não é o mesmo da linguagem do senso comum. Não tem nada a ver com erudição, com pessoa douta, dita sábia, com grande soma de conhecimentos. Há vários usos dados a palavra – cultura agrícola para sentido de cultivo agrícola – cafeicultura etc.; cultura física, para resultados de condicionamentos físicos de pessoas por meio de ginástica e desportos; cultura de microorganismos; cadernos literários; programas chamados culturais – teatro, cinema, shows, concertos etc.

Cultura é tudo o que o homem cria e produz. A cultura, como define Álvaro Vieira Pinto, em Ciência e Existência (Paz e Terra, 1979, p. 121) , é uma criação do homem, resultante da complexidade crescente das operações de que esse animal se mostra capaz no trato com a natureza material, e da luta a que se vê obrigado para manter-se em vida. A cultura é coetânea do processo de hominização. A criação da cultura e a criação do homem são duas faces de um só e mesmo processo.

A cultura compreende idéias (cultura não material) e artefatos (cultura material).

Só o homem possui cultura. Todos homens possuem cultura, pois vivendo em sociedade participam de alguma cultura.

Enculturação, termo empregado pela Antropologia, é sinônimo de socialização, significando a interiorização da cultura pelo indivíduo.

Todas as sociedades, e não apenas as que possuem escrita, têm uma cultura.

Cada povo, cada sociedade tem sua cultura, o que equivale dizer, seu modo de vida.

A cultura é, por excelência, o domínio do artificial e do convencional. O homem não cria nenhuma matéria-prima que seja capaz de concorrer com a natureza, só a transforma, e por conseguinte dá sentido ou realidade através do artefato uma finalidade objetiva, social à criação. É o caso do tempo cronogramado criado com o relógio (explicitado em sala de aula uma série de convenções. O tempo cronogramado não existe na natureza. O ser humano, os animais não têm, de fato, idade, mas sim duração etc.)

Existem culturas superiores?
Para a Sociologia, não existem culturas superiores nem inferiores, mas apenas culturas diferentes. Cada cultura é uma realidade autônoma

Etnocentrismo, é a tendência a conceber e julgar culturas e sociedades estranhas através do crivo dos valores da sua própria cultura. Nenhuma cultura pode ser compreendida a partir da lógica da outra. Cada cultura possui sua própria lógica.

Toda cultura tem áreas de atrofia e hipertrofia.

Corolário
Quando uma pessoa admite a superioridade ou inferioridade de alguma cultura em particular, ou seja, age de modo etnocêntrico. O faz assim porque adota o ponto de vista e os valores de alguma cultura em particular.

Funções da cultura
1. Satisfazer as necessidades humanas.
2. Explicitar por meio de idéias o modo convencional de satisfazer as necessidades, isto é normas para limitar a satisfação das necessidades humanas. Entra aqui a convenção social para tudo aquilo que deve ser tacitamente aceito, por uso ou geral consentimento, como norma de proceder, de agir, no convívio social.
3. Criar necessidades para o homem. As necessidades humanas não se restringem às estritamente decorrentes dos imperativos da condição animal mas também da moral como é o caso do vestuário (embora a principal função do vestuário seja o de proteger o indivíduo dos rigores do clima, ele tem, igualmente, uma função moral, associado às noções de decoro)
4. Simbólica. No caso do vestuário, estar na moda significa obedecer às normas referentes a essa área da vida social e, ao mesmo tempo, satisfazer uma necessidade estética cultural.

Corolário
Uma necessidade criada pela cultura pode ser tão forte ou até mesmo mais premente do que as necessidades naturais.

Aculturação
Processo decorrente do contato mais ou menos direto e contínuo entre dois ou mais grupos sociais, pelo qual cada um desses grupos assimila, adota ou rejeita elementos da cultura do outro, seja de modo recíproco ou unilateral, e podendo implicar, eventualmente, subordinação política ou a adaptação de um indivíduo a uma nova cultura com que estabelece contato, seja em seu local de origem, seja em outro local para que se tenha mudado.

Em outras palavras, aculturação ou transculturação é o processo de fusão de culturas em contato através da troca de seus padrões e da influência mútua.

A cultura brasileira é o resultado da síntese de várias culturas em contato: européia, diferentes culturas indígenas autóctones e variadas culturas africanas.

Cultura e subcultura
A cultura da sociedade simples, como as sociedades tribais possui um grau muito alto de homogeneidade. A grande maioria dos seus padrões são compartilhados por todos seus participantes. O ritmo de transformação dessas culturas é lento.

A cultura das sociedades complexas são altamente heterogêneas. Nelas, a participação cultural dos indivíduos é fragmentária e diversificada.

Para compreender as culturas das sociedades complexas em toda a sua diversificação é necessário identificar as subculturas que as compõem.

Subcultura não significa cultura inferior, mas parte de uma cultura. As subculturas não são independentes da cultura total. A subcultura não é também um simples conjunto de pessoas nem necessariamente de uma região, embora existem subculturas regionais. Note-se que as pessoas que participam de subculturas não são as subculturas.

Nas sociedades complexas, as pessoas tendem a participar simultaneamente de várias subculturas.

Corolário
Subcultura é parte de uma cultura, distinta desta última pela posse de crenças, valores, normas e padrões de comportamento exclusivos, mas dependente do todo através da participação de elementos culturais comuns ao todo.

Cultura e sociedade de massa
Cultura total de uma sociedade composta de padrões de comportamento e de pensamento comuns às subculturas de uma sociedade heterogênea. Os padrões são partilhados por toda ou pela maioria dos indivíduos independentemente do nível de renda, do grau de instrução, do tipo de ocupação e da localização espacial.

Os padrões da cultura de massa não possuem o mesmo grau de estabilidade da cultura dominante, estes derivando da tradição que dizem respeito ao idioma, aos valores morais e ao sentimento coletivo de participação de uma tradição histórica comum. A cultura de massa refere-se aos aspectos superficiais do entretenimento, do gosto artístico e do vestuário.

Cultura imposta pela indústria cultural; indústria cultural (meios de comunicação de massa – jornais, televisão, cinema, industria fonográfica etc).

Cultura popular
Não se confina a uma única subcultura, mas não perpassa todas as subculturas como a cultura de massa. Compreende um grande número de subculturas das quais participa uma proporção significativa da população.

Estereótipos
São imagens pré-estabelecidas para todos os indivíduos pertencentes a alguma categoria social, mediante a atribuição generalizada de qualidades de caráter positivas ou negativas. São clichês, rotulações. Os participantes de subculturas tendem a ser vítimas de estereótipos.

Símbolos e normas
Os símbolos estão presentes em todos os momentos da vida social não só na linguagem verbal, as ações sociais ou seja todas as relações sociais possuem necessariamente uma dimensão simbólica. Gestos, cores, vestuários são alguns dos recursos simbólicos mais freqüentemente usados pelo homem. Roupas podem significar contentamento ou tristeza, autoridade ou submissão. Do mesmo modo que a norma o símbolo tem caráter normativo.

A dimensão intermental da sociedade
Através da comunicação simbólica os homens podem partilhar idéias e sentimentos entre si. A vida social é também realidade intermental ou intersubjetiva. Estudar as relações sociais significa sempre e necessariamente procurar saber o que ocorre na mente das pessoas de um modo compartilhado, i.e., intersubjetivamente.

As crenças coletivas têm o poder de moldar as relações sociais. A sociedade não é apenas o que as pessoas e grupos fazem entre si, é também o que as pessoas acreditam que ela seja ou que ela deva ser.

Existem dois níveis básicos da vida social:
1) Interacional, diz respeito ao que os agentes sociais fazem entre si


2) Intermental ou intersubjetivo, compreende as idéias coletivamente compartilhadas pelos indivíduos sobre o que a sociedade em que vivem presumivelmente é ou deve ser

Esses dois níveis são interdependentes entre si.

Comportamento humano e relações sociais
O comportamento coletivo, que constitui o nível interacional da sociedade, pode ser observado direto ou indiretamente.

O problema de identificar e explicar as relações sociais através do comportamento é tão mais complexo para o sociólogo quanto este ocupa-se não apenas das relações entre indivíduos, mas principalmente, das relações entre diferentes tipos de coletividade – grupos, agregados, categorias, classes, nações etc.

Para identificar e explicar as relações sociais, o sociólogo precisa observar o comportamento ou as ações das pessoas como meio mas não o único para alcançar as relações sociais.

sábado, março 18, 2006

Uma imagem


Sala de atividades pedagógicas FAST
Brinquedoteca

Foto:
2006 (c) Pedro Ferreira de Andrade

Aula dia 16 de março de 2006 - 6° encontro

ATIVIDADE EM CLASSE EM GRUPO SOBRE O TEXTO

VILA NOVA, Sebastião. Indivíduo, cultura e sociedade. São Paulo: Atlas
Cap. 2 - Indivíduo, cultura e sociedade

. Sociedade humana e "sociedades" animais não-humanas
. Socialização e comunicação simbólica
. Cultura
. Cultura material e não material
. Existem culturas superiores?
. Funções da cultura
. Cultura e corpo: um exemplo
. Aculturação
. Cultura e subcultura
. Cultura e sociedade de massa
. Cultura popular
. Estereótipos
. Símbolos e normas
. A dimensão intermental da sociedade
. Comportamento humano e relações sociais

Aula dia 9 de março de 2006 - 5° encontro

A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA
Entende que os fenômenos sociais não são causais ou aleatórios (sujeitos ao acaso, fortuitos, acidentais), mas possuem regularidade. São previsíveis, constituindo objeto de estudo científico que comportam generalizações, teorias e princípios.

Objeto da sociologia
A Sociologia tem por objeto as interações sociais, estudando os fenômenos que expressam as condições sociais dos seres vivos: o comportamento grupal, os processos sociais, as estruturas sociais, a vida social.

A sociologia estuda as condições de existência social dos seres humanos aplicando o ponto de vista científico à observação e à explicação dos fenômenos sociais (Florestan Fernandes).

Estuda, portanto, os fatos que são característicos da vida em grupo, e não da vida do indivíduo.

Características dos fatos sociológicos
Segundo Durkheim os fatos sociais apresentam as seguintes características:
a) Objetividade – os fatos sociais são objetivos, ou seja, exteriores às consciências individuais
b) Coerção – os fatos sociais se impõem aos indivíduos, exercem pressão social, são, pois, coercitivos. Ao tentar desviar-se do comportamento grupal, o indivíduo sofre sanção social, prêmio ou castigo que o grupo impõe a quem obedece ou desobedece, respectivamente, às normas sociais.
c) Generalidade e diversidade – os fatos sociais são gerais, isto, existem em todas as sociedades. Todo grupo possui seu comportamento: sua linguagem, sua maneira de vestir, organização, costumes, cooperação, conflitos. Mas ao mesmo tempo em que tais fatos existem em todos os grupos, eles não são uniformes, cada comunidade ou grupo tem seu comportamento grupal. Todos os grupos falam uma língua, mas é diferente em cada grupo, de acordo com a formação e história.

Para os educadores, a consideração da diversidade dos fatos sociais é de grande importância, pois nos leva à compreensão de que cada época, cada sociedade possui seu sistema educacional e suas necessidades educacionais. Outro aspecto a considerar. De nada adiantaria transplantar experiências educacionais consideradas bem-sucedidas de uma sociedade para outra se elas não se ajustarem às necessidades desta outra sociedade

Natureza dos fatos sociais
O que é próprio dos fatos sociais. São por natureza:
a) Naturais – podem ser estudados objetivamente

b) Explicados por causas sociais – a causa de um fato social é sempre um fato social, não podem ser redutíveis a fatos não-sociais (físicos, biológicos, psicológicos), não se prestando a analogias (organismo social, darwinismo social, comparação da sociedade humana à estrutura do átomo)

c) Interdependentes – existe entre eles uma estreita ligação. Não são, pois, realidades autônomas. As transformações verificadas na economia, na educação, na religião, na cultura em geral cedo ou tarde repercutirão nos demais.

Os métodos da sociologia
Toda ciência, na investigação e demonstração da verdade, utiliza-se de um conjunto de processos chamados de método. Os biólogos, os químicos, os físicos dentre outros grupos têm a vantagem de realizar experimentações, procurando observar o comportamento das coisas naturais, sob condições mais ou menos artificiais.

Os sociólogos não têm as mesmas facilidades de experimentação como as apresentadas nas ciências físicas e naturais.

A sociologia enquanto ciência se constitui de:
a) Teorias (orientam e dirigem as pesquisas)
b) Pesquisas (aumentam a precisão das teorias)

O sociólogo utiliza-se em suas investigações de vários métodos e técnicas científicas. Alguns métodos e técnicas de pesquisas sociológicas:
o Método histórico – este método consiste em buscar as raízes de um fenômeno social no passado para descobrir as suas origens e antecedentes
o Método comparativo – consiste em estudar diferentes grupos ou povos para: desvendar as semelhanças existentes em determinadas circunstâncias e condições; explicar as diversidades.
o Método estatístico – consiste em reduzir os dados sociológicos a termos quantitativos para tratá-los estatisticamente. Com este método chega-se a generalizações quanto à ocorrência e significado dos fenômenos sociais. Baseia-se em amostragens, distribuição de freqüência, medidas de variabilidade, estabelecimento de correlações e confecção de gráficos.
o Método de estudo de caso – Empregado no estudo de um grupo, comunidade, instituição ou indivíduo. Consiste na investigação e análise de todos os fatos que influenciam o caso e no exame de todos os pontos de vista. Estuda-se casos representativos.
o Método tipológico – Consiste em comparar fenômenos sociais complexos.
o Método funcionalista – Método mais interpretativo do que de investigação. Supõe toda sociedade composta de partes inter-relacionadas e interdependentes, cada uma preenchendo uma função necessária à vida social. Compreende-se melhor as partes segundo a função que desempenham no todo, isto é, conforme as necessidades que satisfaçam.

Divisão da sociologia
As primeiras divisões foram elaboradas com base em outras ciências por:

o Auguste Comte, baseado na física, dividiu a sociologia em: estática, que estudaria os fatos concernentes à ordem (família, instituições sociais) e dinâmica, que estudaria os fatos ligados ao progresso (mudanças)

o Durkheim, baseado na biologia, dividiu a sociologia em:

a) Morfologia social, que estudaria a estrutura material da sociedade, como a densidade da população, a distribuição dos grupos que a compõem

b) Fisiologia social, que lidaria com as funções da vida social (religiosas, políticas, econômicas). A fisiologia social foi dividida em sociologia religiosa, sociologia moral, sociologia jurídica, sociologia educacional, sociologia estética

c) Sociologia geral, seria a parte filosófica ou teórica da ciência. Trataria dos problemas teóricos que exigissem sínteses, unificação.

As classificações anteriores têm hoje apenas valor histórico. Atualmente a sociologia é dividida em seis disciplinas segundo Karl Mannheim (1893-1947), sociólogo alemão:

1 – Sociologia sistemática, que estuda os elementos básicos e universais dos sistemas sociais e o modo como se relacionam: noções de ação, interação, relação, processos sociais, grupos e instituições.

2 – Sociologia descritiva, que investiga os fenômenos sociais no plano das suas manifestações concretas, nas condições reais em que operam. Por exemplo: estudo da família na sociedade atual; estudo da cooperação em dada sociedade.

3 – Sociologia comparada, que pesquisa como os fenômenos sociais variam na história das diversas sociedades e épocas. Estuda também a evolução das formas sociais de vida.

4 – Sociologia diferencial, que procura estudar as peculiaridades de cada sociedade de cada sistema.

5 – Sociologia aplicada, que estuda a intervenção racional sobre as condições sociais de existência. Exemplo: estudo da realidade brasileira para elaborar reformas; racionalização do trabalho numa empresa

6 – Sociologia geral ou teórica, uma disciplina de crítica e de síntese.



***

UNIDADE II – INDIVÍDUO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO

Indivíduo

O exemplar de uma espécie qualquer, orgânica ou inorgânica, que constitui uma unidade distinta.
A unidade de que se compõem os grupos humanos ou as sociedades.
Cada um dos componentes de uma espécie.
Uma pessoa qualquer, cujo nome não se quer dizer; sujeito.
Homem reles, insignificante, desprezível.

É, sem dúvida, ao nível do corpo, do organismo, que se pode encontrar a fonte primordial da unidade no ser vivo. O indivíduo, simples amostra da espécie, é puramente biológico. Mas o ser humano não é simplesmente indivíduo é também uma pessoa, uma categoria moral. A pessoa é dotada de liberdade, porque não dizer de arbítrio, ao passo que o indivíduo é considerado como o efeito estritamente determinado da organização biológica. A pessoa não fica isolada, fechada em si mesma, mas pode constituir, com outras pessoas conscientes, uma comunidade.

A unidade da pessoa não é um simples dado biológico, intervém em sua origem uma construção voluntária de valores, em torno dos quais se organizam a unidade do eu. Esses valores advêm da educação ou seja da sociedade que nos obriga a unificar nossas atitudes e dar coerência a nossa vida. A idéia de responsabilidade é, em grande parte, de origem social. A sociedade não deixa de nos obrigar a uma autovigilância, pois estamos cercados de terstemunhas que nos observam, ela nos força a estar atentos aos nossos atos, sobre os quais a atenção de outrem se dirige.

Pessoa designa, originariamente, uma função social.
Cada ser humano considerado na sua individualidade física ou espiritual, portador de qualidades que se atribuem exclusivamente à espécie humana, quais sejam, a racionalidade, a consciência de si, a capacidade de agir conforme fins determinados e o discernimento de valores.
Ser ao qual se atribuem direitos e obrigações.

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Pessoa física.
1. Pessoa natural.
Pessoa jurídica.
1. Entidade jurídica resultante dum agrupamento humano organizado, estável, e que visa a fins de utilidade pública ou privada e é completamente distinta dos indivíduos que a compõem, sendo capaz de exercer direitos e contrair obrigações, tais como a União, cada um dos estados ou municípios (pessoas jurídicas de direito público), e as sociedades civis, mercantis, pias, fundações, etc. (pessoas jurídicas de direito privado).

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Sociedade
. Sociedade humana e sociedades animais não-humanas

Aula dia 9 de março de 2006 - 5° encontro

A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA
Entende que os fenômenos sociais não são causais ou aleatórios (sujeitos ao acaso, fortuitos, acidentais), mas possuem regularidade. São previsíveis, constituindo objeto de estudo científico que comportam generalizações, teorias e princípios.

Objeto da sociologia
A Sociologia tem por objeto as interações sociais, estudando os fenômenos que expressam as condições sociais dos seres vivos: o comportamento grupal, os processos sociais, as estruturas sociais, a vida social.

A sociologia estuda as condições de existência social dos seres humanos aplicando o ponto de vista científico à observação e à explicação dos fenômenos sociais (Florestan Fernandes).

Estuda, portanto, os fatos que são característicos da vida em grupo, e não da vida do indivíduo.

Características dos fatos sociológicos
Segundo Durkheim os fatos sociais apresentam as seguintes características:
a) Objetividade – os fatos sociais são objetivos, ou seja, exteriores às consciências individuais
b) Coerção – os fatos sociais se impõem aos indivíduos, exercem pressão social, são, pois, coercitivos. Ao tentar desviar-se do comportamento grupal, o indivíduo sofre sanção social, prêmio ou castigo que o grupo impõe a quem obedece ou desobedece, respectivamente, às normas sociais.
c) Generalidade e diversidade – os fatos sociais são gerais, isto, existem em todas as sociedades. Todo grupo possui seu comportamento: sua linguagem, sua maneira de vestir, organização, costumes, cooperação, conflitos. Mas ao mesmo tempo em que tais fatos existem em todos os grupos, eles não são uniformes, cada comunidade ou grupo tem seu comportamento grupal. Todos os grupos falam uma língua, mas é diferente em cada grupo, de acordo com a formação e história.

Para os educadores, a consideração da diversidade dos fatos sociais é de grande importância, pois nos leva à compreensão de que cada época, cada sociedade possui seu sistema educacional e suas necessidades educacionais. Outro aspecto a considerar. De nada adiantaria transplantar experiências educacionais consideradas bem-sucedidas de uma sociedade para outra se elas não se ajustarem às necessidades desta outra sociedade

Natureza dos fatos sociais
O que é próprio dos fatos sociais. São por natureza:
a) Naturais – podem ser estudados objetivamente

b) Explicados por causas sociais – a causa de um fato social é sempre um fato social, não podem ser redutíveis a fatos não-sociais (físicos, biológicos, psicológicos), não se prestando a analogias (organismo social, darwinismo social, comparação da sociedade humana à estrutura do átomo)

c) Interdependentes – existe entre eles uma estreita ligação. Não são, pois, realidades autônomas. As transformações verificadas na economia, na educação, na religião, na cultura em geral cedo ou tarde repercutirão nos demais.

Os métodos da sociologia
Toda ciência, na investigação e demonstração da verdade, utiliza-se de um conjunto de processos chamados de método. Os biólogos, os químicos, os físicos dentre outros grupos têm a vantagem de realizar experimentações, procurando observar o comportamento das coisas naturais, sob condições mais ou menos artificiais.

Os sociólogos não têm as mesmas facilidades de experimentação como as apresentadas nas ciências físicas e naturais.

A sociologia enquanto ciência se constitui de:
a) Teorias (orientam e dirigem as pesquisas)
b) Pesquisas (aumentam a precisão das teorias)

O sociólogo utiliza-se em suas investigações de vários métodos e técnicas científicas. Alguns métodos e técnicas de pesquisas sociológicas:
o Método histórico – este método consiste em buscar as raízes de um fenômeno social no passado para descobrir as suas origens e antecedentes
o Método comparativo – consiste em estudar diferentes grupos ou povos para: desvendar as semelhanças existentes em determinadas circunstâncias e condições; explicar as diversidades.
o Método estatístico – consiste em reduzir os dados sociológicos a termos quantitativos para tratá-los estatisticamente. Com este método chega-se a generalizações quanto à ocorrência e significado dos fenômenos sociais. Baseia-se em amostragens, distribuição de freqüência, medidas de variabilidade, estabelecimento de correlações e confecção de gráficos.
o Método de estudo de caso – Empregado no estudo de um grupo, comunidade, instituição ou indivíduo. Consiste na investigação e análise de todos os fatos que influenciam o caso e no exame de todos os pontos de vista. Estuda-se casos representativos.
o Método tipológico – Consiste em comparar fenômenos sociais complexos.
o Método funcionalista – Método mais interpretativo do que de investigação. Supõe toda sociedade composta de partes inter-relacionadas e interdependentes, cada uma preenchendo uma função necessária à vida social. Compreende-se melhor as partes segundo a função que desempenham no todo, isto é, conforme as necessidades que satisfaçam.

Divisão da sociologia
As primeiras divisões foram elaboradas com base em outras ciências por:

o Auguste Comte, baseado na física, dividiu a sociologia em: estática, que estudaria os fatos concernentes à ordem (família, instituições sociais) e dinâmica, que estudaria os fatos ligados ao progresso (mudanças)

o Durkheim, baseado na biologia, dividiu a sociologia em:

a) Morfologia social, que estudaria a estrutura material da sociedade, como a densidade da população, a distribuição dos grupos que a compõem

b) Fisiologia social, que lidaria com as funções da vida social (religiosas, políticas, econômicas). A fisiologia social foi dividida em sociologia religiosa, sociologia moral, sociologia jurídica, sociologia educacional, sociologia estética

c) Sociologia geral, seria a parte filosófica ou teórica da ciência. Trataria dos problemas teóricos que exigissem sínteses, unificação.

As classificações anteriores têm hoje apenas valor histórico. Atualmente a sociologia é dividida em seis disciplinas segundo Karl Mannheim (1893-1947), sociólogo alemão:

1 – Sociologia sistemática, que estuda os elementos básicos e universais dos sistemas sociais e o modo como se relacionam: noções de ação, interação, relação, processos sociais, grupos e instituições.

2 – Sociologia descritiva, que investiga os fenômenos sociais no plano das suas manifestações concretas, nas condições reais em que operam. Por exemplo: estudo da família na sociedade atual; estudo da cooperação em dada sociedade.

3 – Sociologia comparada, que pesquisa como os fenômenos sociais variam na história das diversas sociedades e épocas. Estuda também a evolução das formas sociais de vida.

4 – Sociologia diferencial, que procura estudar as peculiaridades de cada sociedade de cada sistema.

5 – Sociologia aplicada, que estuda a intervenção racional sobre as condições sociais de existência. Exemplo: estudo da realidade brasileira para elaborar reformas; racionalização do trabalho numa empresa

6 – Sociologia geral ou teórica, uma disciplina de crítica e de síntese.



***

UNIDADE II – INDIVÍDUO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO

Indivíduo

O exemplar de uma espécie qualquer, orgânica ou inorgânica, que constitui uma unidade distinta.
A unidade de que se compõem os grupos humanos ou as sociedades.
Cada um dos componentes de uma espécie.
Uma pessoa qualquer, cujo nome não se quer dizer; sujeito.
Homem reles, insignificante, desprezível.

É, sem dúvida, ao nível do corpo, do organismo, que se pode encontrar a fonte primordial da unidade no ser vivo. O indivíduo, simples amostra da espécie, é puramente biológico. Mas o ser humano não é simplesmente indivíduo é também uma pessoa, uma categoria moral. A pessoa é dotada de liberdade, porque não dizer de arbítrio, ao passo que o indivíduo é considerado como o efeito estritamente determinado da organização biológica. A pessoa não fica isolada, fechada em si mesma, mas pode constituir, com outras pessoas conscientes, uma comunidade.

A unidade da pessoa não é um simples dado biológico, intervém em sua origem uma construção voluntária de valores, em torno dos quais se organizam a unidade do eu. Esses valores advêm da educação ou seja da sociedade que nos obriga a unificar nossas atitudes e dar coerência a nossa vida. A idéia de responsabilidade é, em grande parte, de origem social. A sociedade não deixa de nos obrigar a uma autovigilância, pois estamos cercados de terstemunhas que nos observam, ela nos força a estar atentos aos nossos atos, sobre os quais a atenção de outrem se dirige.

Pessoa designa, originariamente, uma função social.
Cada ser humano considerado na sua individualidade física ou espiritual, portador de qualidades que se atribuem exclusivamente à espécie humana, quais sejam, a racionalidade, a consciência de si, a capacidade de agir conforme fins determinados e o discernimento de valores.
Ser ao qual se atribuem direitos e obrigações.

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Pessoa física.
1. Pessoa natural.
Pessoa jurídica.
1. Entidade jurídica resultante dum agrupamento humano organizado, estável, e que visa a fins de utilidade pública ou privada e é completamente distinta dos indivíduos que a compõem, sendo capaz de exercer direitos e contrair obrigações, tais como a União, cada um dos estados ou municípios (pessoas jurídicas de direito público), e as sociedades civis, mercantis, pias, fundações, etc. (pessoas jurídicas de direito privado).

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Sociedade
. Sociedade humana e sociedades animais não-humanas

Aula dia 2 de março de 2006 - 4° encontro

RESUMO
OS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA

ATIVIDADE EM CLASSE EM GRUPO DE PESQUISA DO TEXTO:
MENDONÇA, Erasto Fortes (2000). Educação e sociedade numa perspectiva sociológica. Faced/UnB. p. 20 a 48.


PIONEIROS DA SOCIOLOGIA E SUAS IDÉIAS
1. SAINT-SIMON (1760 – 1825) – Francês, progressista, nasceu e morreu em Paris.

Considerado um dos fundadores do socialismo. Autor da famosa frase: “De cada um, de acordo com sua capacidade, e a cada um, de acordo com a sua necessidade”. Apoiou e viveu as ações da Revolução Francesa. Observa a sociedade pós-revolucionária em seu estado de perturbação, de desordem, de instabilidade e anarquia. Essas relações sociais instáveis eram um problema a ser enfrentado pelos pensadores sociais. O conhecimento da sociedade poderia e deveria permitir a restauração da ordem e da harmonia

(Socialismo – Sistema político que preconiza a incorporação dos meios de produção à coletividade # Socialização – Ato de por em sociedade; extensão de vantagens particulares à sociedade inteira; processo de integração mais intensa dos indivíduos no grupo)

· Quem foi Saint-Simon?
o Claude Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon, é oriundo da nobreza. A sua formação racionalista o fez abrir mão do título aristocrático em favor da igualdade entre os homens. Rompeu com a família, entrou para o Exército e combateu ao lado dos americanos na Guerra da Independência. Reduzido à pobreza aliou-se a Napoleão nos Cem Dias, lançando-se depois na oposição aos Bourbon. Após um período de desencorajamento, atirou contra si, e a bala lhe vazou um olho. Saint-Simon passou então a ser sustentado materialmente por seu discípulo Olinde Rodrigues. Sua doutrina ficou conhecida como industrialismo ou sansionismo e teve muitos adeptos, influindo nas idéias sociológicas de Augusto Comte, que foi seu secretário
· Como via a sociedade?
o Observa a sociedade pós-revolucionária em seu estado de perturbação, de desordem, de instabilidade e anarquia. Via no industrialismo uma forma de produção de bens materiais capaz de gerar riquezas suficientes para contemplar as necessidades de todas as pessoas.
· Que sociedade propunha para os homens?
o A formação de uma sociedade em que não haveria a exploração do homem pelo homem. A sociedade imaginada por Saint-Simon não tinha ociosos e o governo deveria ser constituído por trabalhadores, onde se incluíam não apenas os operários mas os industriais, os banqueiros e os comerciantes
· Por que é classificado como socialista utópico?
o Porque ao prever um de iguais, acreditava na possibilidade de uma transformação social sem a luta entre as classes. Bastaria que o capitalismo fosse regulado para que a tendência à exploração pudesse inexistir
· Obras publicadas / idéias principais
o O novo cristianismo (último livro) – pregava uma religiosidade aliada à racionalidade que caracterizara sua formação filosófica. Essa nova religião, diferente do catolicismo e do protestantismo, deveria favorecer o aparecimento de um mundo mais justo, baseado no progresso advindo do industrialismo.
o Cartas de um habitante de Genebra a seus contemporâneos (primeiro livro importante) – propunha a criação de um novo poder espiritual acima dos Estados, uma religião da ciência que substituiria o catolicismo.
o A parábola –propunha uma sociedade nova com todos os produtores, na qual estaria ausentes todos os ociosos
o Catecismo dos industriais

· Reproduzir os quadros e explicar


2. AUGUSTE COMTE (1798 – 1857) – Francês, conservador.
Criador da doutrina positivista. Lutou para que, em todos os ramos de estudos, se obedecesse à máxima objetividade. Em sua classificação das ciências, colocou a Matemática na base e, no ápice, a sociologia. Assumiu uma posição diferente dos socialistas. Deu o nome à Sociologia, que inicialmente a chamara de “Física Social”.

A sociologia não deveria limitar-se apenas à análise, mas propor normas de comportamento, seguindo a orientação resumida do positivismo: “saber para prever, a fim de prover”.

Três princípios básicos podem ser abstraídos de suas idéias:
1) Prioridade do todo sobre as partes. Para compreender e explicar um fenômeno social particular, devemos analisá-lo no contexto global a que pertence.
2) O progresso dos conhecimentos é característico da sociedade humana. A sucessão de gerações, com seus conhecimentos, permite uma acumulação de experiências e de saber que constitui um patrimônio espiritual objetivo e liga as gerações entre si; existe uma coerência entre o estágio dos conhecimentos e a organização social.
3) O homem é o mesmo por toda a parte e em todos os tempos, em virtude de possuir idêntica constituição biológica e sistema cerebral.

Desses princípios básicos, concluiu ser natural que a sociedade, em toda parte, evolua da mesma maneira e no mesmo sentido, resultando daí que a humanidade em geral caminha para um mesmo tipo de sociedade mais avançada. Daí surgiu a classificação das sociedades denominada de “A Lei dos Três Estados”:
1. Estado teológico ou fictício – em que se explica os diversos fenômenos através das causas primárias, em geral personificadas nos deuses. O estado teológico subdivide-se em: a) fetichismo, em que o homem confere vida, ação e poder sobrenaturais a seres inanimados e a animais; politeísmo, quando atribui a diversas potências sobrenaturais ou deuses certos traços na natureza humana (motivações, vícios, virtudes etc.); monoteísmo, quando desenvolve a crença num deus único.
2. Estado metafísico ou abstrato – as causas primárias são substituídas por causas mais gerais – as entidades metafísicas - , buscando nestas entidades abstratas (idéias) explicações sobre a natureza das coisas e a causa dos acontecimentos.
3. Estado positivo ou científico - o homem tenta compreender as relações entre as coisas e os acontecimentos através da observação científica e do raciocínio, formulando leis, portanto não mais procura conhecer a natureza íntima das coisas e as causas absolutas.

A característica da obra de Comte – a filosofia positivista – foi desenvolvida em suas obras Curso de Filosofia Positiva e Política Positiva, cuja intencionalidade é substituir em toda a parte o absoluto pelo relativo.

o Augusto Comte (1798-1857). Principal obra: Curso de filosofia positiva. Deu maior ênfase à idéia de regularidade dos fatos sociais e, por isso, criou uma nova ciência que a princípio chamou de física social e, posteriormente, sociologia. Suas proposições:

· As ciências teóricas formam uma hierarquia, em cujo ápice está a sociologia

Dividiu as ciências em teóricas e práticas; as teóricas podiam ser descritivas e abstratas. Estas classificou de acordo com a generalidade decrescente e complexidade crescente

· A lei dos três estados, que explicaria o progresso da humanidade durante a História


***

· Quem foi Comte?
Ele é o pai da Sociologia, é mais novo e contemporâneo de Saint-Simon. Os dois chegaram a trabalhar juntos, mas se desentenderam. Saint-Simon foi um pensador progressista e Comte, ao contrário, foi um intelectual inteiramente conservador, sem ambiguidades em relação à defesa da nova sociedade que se instalara a partir do novo modo de produção capitalista.
· Como via a sociedade?
A sociedade européia no caos social, à desordem e à anarquia, resultado da instabilidade econômica
e social produzida pelo industrialismo e pela Revolução Francesa.
· Relação da religião com a sociedade
Comte percebera que as idéias religiosas dominaram a realidade do período feudal, mas cada vez mais ia perdendo sua condição de condutora dos homens.
· Que sociedade propunha para os homens?
Uma sociedade fundamentada nas regras da razão e da experiência humana, substituindo a confiança na religião e destruindo as falsas crenças por ela produzidas.
· Preocupação com a ordem
É uma constante no pensamento de Comte. Era necessário restabelecer a ordem e, para isso, teria de haver uma nova maneira de observar e conhecer a realidade. A ordem estaria associada intimamente ao industrialismo. A ordem, por sua vez, deveria estar associada ao progresso.
· Pretensões quanto à sociedade
Harmonizar ordem e progresso. Fazer da sociologia uma ciência naturalista da sociedade
· Sociologia = ciência da sociedade
Na concepção de Comte, sim, como ciência positiva é a única capaz de reorganizar a sociedade e estabelecer a ordem e o progresso. E mais: é a ciência que sintetiza o conhecimento é menos genérica e mais complexa, única capaz de desvendar mistérios da sociedade e orientar a formação do governo positivo
· Reproduzir os quadros e explicar

KARL MARX (Trèves, 5/05/1818 – Londres, 14/3/1883)
Alemão, filósofo social, economista e revolucionário. Fundador do materialismo histórico.

Para Marx, as relações sociais decorrem dos modos de produção (fator de transformação da sociedade), numa tentativa de elaborar uma teoria sistemática da estrutura e das transformações sociais.

O postulado básico do marxismo é o determinismo econômico, segundo o qual o fator econômico é determinante da estrutura do desenvolvimento da sociedade.

(Postulado – princípio ou fato, reconhecido, mas não demonstrado; proposição que se admite sem demonstração)

O homem, para satisfazer suas necessidades, atua sobre a natureza, criando relações técnicas de produção. Todavia, essa atuação não é isolada: na produção e distribuição necessárias ao consumo, o homem relaciona-se com outros seres humanos, dando origem às relações de produção. O conjunto dessas relações leva ao modo de produção. Os homens desenvolvem as relações técnicas de produção através do processo de trabalho (força humana e ferramentas), dando origem a forças produtivas que, por sua vez, geram um determinado sistema de produção (distribuição, circulação e consumo de mercadorias); o sistema de produção provoca uma divisão de trabalho (proprietários e não-proprietários das ferramentas de trabalho ou dos meios de produção) e o choque entre as forças produtivas e os proprietários dos meios de produção determina a mudança social.

Para Marx, a sociedade divide-se em infra-estrutura e supra-estrutura.

A infra-estrutura é a estrutura econômica, formada das relações de produção e forças produtivas.

A supra-estrutura divide-se em dois níveis: o primeiro, a estrutura jurídico-política, formada pelas normas e leis que correspondem à sistematização das relações existentes; o segundo, a estrutura ideológica (filosofia, arte, religião etc.), justificativa do real, formada por um conjunto de idéias de determinada classe social que, através de sua ideologia, defende seus interesses.

Marx, juntamente com Engels, chegou a uma classificação de sociedades segundo o tipo predominante de relações de produção: a comunidade tribal, a sociedade asiática, a cidade antiga, a sociedade germânica, a sociedade feudal, a sociedade capitalista burguesa (comercial; manufatureira e industrial; financeira e colonialista) e a sociedade comunista sem classes (que se instalaria através da ditadura do proletariado).

***

· Quem foi Karl Marx?
Filósofo social e revolucionário socialista que maior influência exerceu sobre o pensamento filosófico e a história da humanidade.
· Como via a sociedade?
Atribuiu à economia na compreensão da sociedade, dividindo esta em infra-estrutura e supra-estrutura. A infra-estrutura é a estrutura econômica, formada das relações de produção e forças produtivas. A supra-estrutura divide-se em dois níveis: o primeiro, a estrutura jurídico-política, formada pelas normas e leis que correspondem à sistematização das relações existentes; o segundo, a estrutura ideológica (filosofia, arte, religião etc.), justificativa do real, formada por um conjunto de idéias de determinada classe social que, através de sua ideologia, defende seus interesses.
· Relação da sociologia como ciência
Sua maneira de abordar a questão social não tem a intenção de estabelecer fronteiras no conhecimento, sua obra interliga a economia, a antropologia, a política, a economia e a própria sociologia. Não há em sua obra a sociologia enquanto sociologia, específica, mas a sociologia enquanto conhecimento interdisciplinar que explicita a sociedade. No entender de Kar Marx a ciência deve estar a serviço do interesse de classe. O conhecimento da realidade social seria uma ferramenta utilizada como instrumento político para sua transformação. Ele defendeu o engajamento do cientista nas mudanças sociais
· Sociologia crítica
Uma vertente da sociologia, tendo como foco a análise das contradições do sistema capitalista.
· Que sociedade propunha para os homens?
A sociedade comunista baseada na cooperação. (O comunismo é qualquer sistema econômico e social baseado na propriedade coletiva. Propõe a propriedade coletiva dos meios de produção. Teoricamente é uma etapa posterior ao sociolismo).
· Reproduzir os quadros e explicar


- DO DESENVOLVIMENTO:

ÉMILE DURKHEIM (1858 – 1917) – Francês.
Preconizou o estudo dos fatos sociais através de regras de rigor científico, determinou seu objeto e sua metodologia.

Na primeira obra, A divisão do trabalho social enuncia dois princípios básicos: consciência coletiva e solidariedade mecânica e orgânica.

Por consciência coletiva entende-se a soma de crenças e sentimentos comuns à média dos membros da comunidade, formando um sistema autônomo, isto é, uma realidade distinta que persiste no tempo e une as gerações. A consciência coletiva envolve quase que completamente a mentalidade e a moralidade do indivíduo. Entretanto Durkheim percebe a existência de duas consciências, a coletiva e a individual: a primeira predominante, compartilhará com o grupo; a segunda, peculiar ao indivíduo.

Em qualquer tempo da evolução da sociedade existe coerção social.

A solidariedade mecânica e orgânica são as características das semelhanças entre os membros individuais, igualdade necessária à sobrevivência do grupo mantida por meio da coerção social, baseada na consciência coletiva. É severa e repressiva nas sociedades primitivas, se transformando com o progresso da divisão de trabalho, gerando um novo tipo de solidariedade, baseado na complementação de partes diversificadas, dando origem a uma nova organização social fundamentada na solidariedade orgânica, não mais baseada nas semelhanças de indivíduos e grupos, mas na sua independência. Implica maior autonomia, com uma consciência individual mais livre.

Em As regras do método sociológico, estabelece as regras que devem ser seguidas na análise dos fenômenos sociais. A primeira regra fundamental, relativa à onbservação dos fatos sociais, consiste em considerá-los como “coisas”, desvinculados de concepções filosóficas e não subordinados às noções biológicas e psicológicas. Coisas opõem-se a idéias.

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· Quem foi Durkheim?
Um dos pioneiros de um tipo de raciocínio metodológico que caracteriza o funcionalismo.
· Como via a sociedade?
Teve uma visão profundamente otimista da sociedade industrial, não considerando que as questões econômicas fossem responsáveis pela crise na sociedade, atribuía aos problemas morais a causa dessas tensões. Os valores morais seriam capazes de guiar o comportamento dos indivíduos criando relações estáveis e duradouras. A falta desses valores levaria a sociedade à anomia, uma espécie de doença social, e traria como conseqüência uma intensa dificuldade para o bom funcionamento da sociedade
· Fenômeno da divisão social do trabalho
É analisado por Durkheim como responsável pela solidariedade entre os homens. Facilitou o processo de industrialização na Europa com rapidez.
· Relação da sociologia como ciência
Deu forma à sociologia como ciência. Na condição de disciplina acadêmica, a introduziu nas universidades por onde lecionou. A preocupação metodológica foi marcante em seu pensamento, tendo a preocupação em estabelecer claramente o objeto de estudo e o método de investigação apropriados.
· Positivismo e sociedade
Na análise da sociedade Durkheim aplica o positivismo. A função da sociologia é o restabelecimento da ordem na sociedade, indo ao encontro com o pensamento de Comte
· Que sociedade propunha para os homens?
Uma sociedade organizada em torno de valores, de costumes, de normas e regras aceitos universalmente (o consenso como base da organização social), funcionando como um organismo humano, em que todas as partes são integradas cada uma delas servindo para sustentar o todo
· Reproduzir os quadros e explicar


MAX WEBER (1864-1920). Alemão, filósofo social, economista e sociólogo.
Obras principais: A ética protestante e o espírito do capitalismo (1905) e Economia e sociedade (1922).

De acordo com Weber, a Sociologia é o estudo das interações significativas de indivíduos que formam uma teia de relações sociais, sendo seu objetivo a compreensão da conduta social.

O método compreensivo consiste em entender o sentido que as ações de um indivíduo contêm e não apenas o aspecto exterior dessas mesmas ações.

Conhecer um fenômeno social seria extrair o conteúdo simbólico da ação ou ações que o configuram. Ao abordar o fato humano não possível propriamente explicá-lo como resultado de um relacionamento de causas e efeitos (procedimento das ciências naturais), mas compreendê-lo como fato carregado de sentido, isto é, como algo que aponta para outros fatos e somente em função dos quais poderia ser conhecido em toda sua amplitude.

Esta ênfase dada à compreensão subjetiva levou Weber a definir ação social como a conduta humana, pública ou não, a que o agente atribui significado subjetivo.

Para Weber, a conduta social se apresenta em quatro formas ou categorias:
a) a conduta tradicional, relativa às antigas tradições;
b) a conduta emocional, reação habitual ao comportamento dos outros, expressando-se em termos de lealdade ou antagonismo;
c) a conduta valorizadora, agindo de acordo com o que os outros indivíduos esperam de nós;
d) a conduta racional-objetiva, que consiste em agir segundo um plano concebido em relação à conduta que se espera dos demais

A contribuição de Max Weber à metodologia foi a distinção preconizada entre o método científico de abordar os dados sociológicos e o método do valor-julgamento: a validade dos valores é um problema de fé, não de conhecimentos e, em conseqüência, as Ciências Sociais devem libertar-se dos valores.

WEBER:
O principal objetivo da análise sociológica é a formulação de regras sociológicas.

Weber desenvolveu um instrumento de análise dos acontecimentos ou situações concretas que exigia conceitos precisos e claramente definidos – o tipo ideal. Quando a realidade concreta é estudada desta forma, torna-se possível estabelecer relações causais entre seus elementos. Segundo Weber, um tipo ideal expõe como se desenvolveria uma forma particular de ação social se o fizesse racionalmente em direção a um fim e se fosse orientada de forma a atingir um e somente um fim.

Por “espírito”, Weber entendia o sistema de máximas do comportamento humano. Estudando as sociedades capitalistas ocidentais e depois confrontando seus dados com estudos realizados na China e na Índia, chegou a conclusão de que o surgimento do capitalismo não é automaticamente assegurado só por condições econômicas específicas; deve haver pelo menos uma segunda condição. Essa condição deve pertencer ao mundo interior do homem, isto é, existe forçosamente um poder motivador específico, qual seja, aceitação psicológica de idéias e valores favoráveis a essa transformação.

Max Weber aplicou a metodologia compreensiva à análise às formas de organização social, aos fenômenos históricos, à vida religiosa, à burocracia e aos assuntos econômicos e políticos .

· Quem foi Max Weber?
Economista, sociólogo e filosofo alemão, filho de uma família da alta classe média, foi professor de economia na Universidade de Freiburg, da qual se transferiu para a de Heidelberg. Foi um dos principais responsáveis por dar status de conhecimento científico à sociologia. Weber dividiu sua vida entre a atividade intelectual e a participação na vida política da Alemanha
· Como via a sociedade?
Como uma teia de relações com significados sobre as condutas das pessoas
· Relação da sociologia como ciência
Deu status científico a Sociologia com contribuições metodológicas às abordagens dos dados sociológicos – ação social, como conduta humana, método do valor-julgamento, compreensão da situação social, o entendimento das intenções, elaboração de tipos ideais, elaboração conceituais do objeto examinado. Denominou seu método de sociologia compreensiva.
Ÿ Como se classifica a obra de Weber?

sábado, março 11, 2006

Poesia: Lya Luft

Convite
© Lya Luft

Não sou a areia onde se desenha um par de asas
sou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo, em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na conchada vida, sou construção e desmoronamento,servo e senhor, e sou mistério.

A quatro mãos escrevemos este roteiro para o palco de meu tempo:o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério.

Extraído do livro Perdas & Ganhos, (©) Editora Record - Rio de Janeiro, 2003, pág. 12.

OBS.: A intenção ao transcrever o poema de Lya Luft é divulgar a sua obra e demonstrar a minha admiração pela poetisa e sua pessoa em função da qualidade do que produz. É preciso que seu trabalho seja disseminada e mais pessoas possam conhecer. Vale a pena!

domingo, março 05, 2006

Imagem


Recanto na Praça das Águas, Parque da Cidade Ana Lídia, Brasília-DF. Copyright (2005) Pedro Ferreira de Andrade

sexta-feira, março 03, 2006

Wikipedia, a enciclopédia dos próprios usuários na web


quinta-feira, março 02, 2006

Aula dia 2 de março de 2006 - 4° Encontro

1. Revisão da aula anterior – alguns aspectos

A SOCIEDADE NA LINHA DO TEMPO HISTÓRICO PELOS PENSADORES
. De Platão a Erasmo de Rotterdam os pensadores estiveram preocupados em criticar a sociedade em que viviam ou em descrever sociedades ideais.

. A partir de Maquiavel (1469-1527) a sociedade é analisada de uma perspectiva diferente. Maquiavel propõe estudar a sociedade pela análise da realidade política, pensada em termos de prática humana concreta, tendo como centro o fenômeno do poder formalizado na instituição do Estado com as organizações políticas.

. Hobbes (1588-1679) e Rousseau (1712-1778) explicaram a origem da sociedade civil como um contrato social que dá legitimidade política à relação entre os membros e as instituições constituídas.

. Vico (1668 -1744) preparou o surgimento da Sociologia com a abordagem de que o homem produz a história. A sociedade pode ser compreendida porque constitui obra dos próprios indivíduos.

. Condorcet (1742-1794) insiste explicar a realidade baseada no modelo das ciências da natureza, aplicando os métodos matemáticos ao estudo dos fenômenos sociais ao que denominou de “matemática social”.

. Montesquieu (1689-1755) analisou o papel da lei e dos poderes políticos na sociedade.

. Os problemas criados na sociedade pela evolução econômica passaram a ser analisados pelos teóricos da economia política clássica e socialista, tais como Adam Smith, Fourier, Owen entre outros.

. Hegel (1730-1831) promove o entrosamento entre princípios filosóficos e as ciências sociais.


O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA
. A Sociologia surge após a constituição das ciências naturais e das ciências sociais

. Fatos históricos, intelectuais, situações e intenções práticas contribuem para a sua criação
Históricos – A independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa
Intelectuais – crença de que saber significa poder (conhecendo as leis da sociedade é possível
interferir em seu desenvolvimento)
Situações e intenções – desagregação da sociedade feudal e novas formas de organização da
vida social

. O nome Sociologia foi criado por Augusto Comte em 1839.

. A Sociologia divide seu objeto de estudo com a Antropologia (estuda o homem em específico e características – biológicas, socioculturais – nos grupos em que vivem comunidades) e com a Psicologia – liderança, psicologia de massas, e constitui área limítrofe com a Economia, Ciência Política e Ciência Histórica.


A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA
Entende que os fenômenos sociais não são causais ou aleatórios (sujeitos ao acaso, fortuitos, acidentais), mas possuem regularidade. São previsíveis, constituindo objeto de estudo científico que comportam generalizações, teorias e princípios.

Objeto da sociologia.
A Sociologia tem por objeto as interações sociais, estudando os fenômenos que expressam as condições sociais dos seres vivos: o comportamento grupal, os processos sociais, as estruturas sociais, a vida social.

A sociologia estuda as condições de existência social dos seres humanos aplicando o ponto de vista científico à observação e à explicação dos fenômenos sociais (Florestan Fernandes).

Estuda, portanto, os fatos que são característicos da vida em grupo, e não da vida do indivíduo.


2. ATIVIDADE EM CLASSE EM GRUPO DE PESQUISA DO TEXTO DE:
MENDONÇA, Erasto Fortes (2000). Educação e sociedade numa perspectiva sociológica. Faced/UnB. p. 20 a 48.

OS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA. IDÉIAS E OBRAS